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AGRONEGÓCIO: Mesmo com crise, desempenho goiano foi positivo em 2015 – FAEG

22 de dezembro de 2015
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Porto Alegre, 22 de dezembro de 2015 – Mesmo com a crise que acertou em
cheio o país, a agropecuária conseguiu superar as dificuldades e até se
destacar. Com essa informação o presidente da Federação da Agricultura e
Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, recebeu a imprensa goiana na
tarde desta segunda-feira (21). O motivo do encontro foi a coletiva de imprensa
que a entidade realiza para apresentar o balanço do ano que chega ao fim e as
perspectivas do ano que se aproxima. Schreiner levantou dados positivos para
mostrar que Goiás teve um bom desempenho, e citou como um dos exemplos o saldo
da balança comercial do agronegócio no estado, que foi de US$ 2,17 bilhões,
contra US$ 3,9 bilhões da União.

Em terras goianas registrou-se ainda um aumento do Valor Bruto da
Produção de 4,9%, passando de R$ 30,6 bilhões em 2014 para 32,1 bilhões de
reais em 2015. Além disso, foram gerados no estado mais de 52 mil postos de
trabalho no setor. No que diz respeito a agricultura, houve a manutenção da
área plantada – que chegou aos 5,205 milhões de hectares e a queda de 1% na
produção em relação à safra passada – que passou de 19,81 para 19,67
milhões de toneladas. Já na pecuária, observou-se o aumento na produção de
aves (10%) e de suínos (4%), contra uma queda na produção de carne bovina
(9%) e de leite (4%).

Como principais avanços do ano que já ensaia se despedir, Schreiner falou
sobre a manutenção e redução do ICMS de alguns segmentos, como a
piscicultura quando comercializada entre estados de 12% para 7%, a atuação na
agilização de processos de contratação de crédito rural, o apoio na
elaboração e aprovação da Lei de Irrigação do Estado de Goiás, e a
atuação direta da Faeg para a aprovação de Medida Provisória no Senado
Federal referente a incidência de descontos ao setor rural nas bandeiras
tarifárias de energia elétrica. “Diante das boas notícias vale lembrar que
não sabemos até quando o setor vai conseguir empurrar a economia sozinho.
Sendo assim, a responsabilidade de protegermos a agropecuária, e fazer com que
ela consiga continuar se destacando, é muito grande. O setor não é importante
só para os produtores, mas para toda a população”, pontuou José Mário.

Porém, em um cenário tão preocupante, o setor agropecuária também
enfrentou dificuldades. A queda vertiginosa do Produto Interno Bruto (PIB), a
inflação ultrapassando os dois dígitos, a alta taxa de juros e o aumento
custos de produção e dos impostos dos Governos Federal e Estadual foram
apontados como principais entraves de 2015.

Orientação: palavra de ordem

2016 será o ano da assistência técnica, já que só assim os produtores
conseguirão atingir todo o potencial produtivo e enxergar a crise, que assolou
o país em 2015, pelo retrovisor. Com esse entendimento, Schreiner falou sobre a
missão das entidades representativas no próximo ano. Na ocasião, o
presidente da entidade, que também responde pelo Conselho Administrativo do
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás), José Mário
Schreiner, disse que o objetivo é alavancar parte da classe D/E para a classe C
e da classe C para a classe A/B – o que também é meta da ministra da
Agricultura, Kátia Abreu.

Segundo Schreiner, completam a lista de desafios para 2016 a implantação
e consolidação da Política Agrícola Plurianual, a realização de melhoria
de infraestrutura ferroviária (formas de concessão), portuária e rodoviária,
a modificação do sistema de
armazenagem e de fornecimento de energia elétrica e a reestruturação dos
fundamentos da economia.

Mas nem só de metas será feito o ano que vem chegando. Estima-se que em
2016 ocorra um crescimento da produção de grãos, com aumento de 5,7%,
passando de 19,7 para 20,8 milhões de toneladas. Também deve haver um aumento
de 1,% na área e 12% na produção de soja, além de uma pequena redução na
área e estabilização na produção de milho. Na pecuária, estima-se a
ampliação do mercado mundial para bovinos, suínos e lácteos, além de um
pequeno aumento das aves. O mercado interno deve se apresentar fraco devido
pressão sobre a demanda e a crise econômica interna.

Seguro rural

Sobre a Política Agrícola Plurianual, Schreiner foi enfático ao destacar
a necessidade de um modelo de seguro rural. De acordo com Schreiner, o seguro
agrícola no Brasil precisa avançar. “Precisamos evoluir, avançar e
apresentar um seguro acessível, compatível e bem-sucedido para nossos
produtores rurais e para a potencialização do agronegócio”. Enfático em seu
discurso, Schreiner destacou a importância de adotar novos modelos e
alternativas para o desenvolvimento do setor no país, já que nos últimos 10
anos, a agricultura vem buscando caminhos para um padrão de seguro agrícola
acessível aos produtores rurais. “Esbarramos em um dos grandes entraves que
envolvem o seguro agrícola, ultimamente ele tem sido usado como moeda de troca,
e isso não é bom. O seguro é para segurar as lavouras e garantir acima de
tudo, o crédito aos produtores rurais tanto do Brasil quanto de Goiás”,
ressaltou.
“A ideia do Plano Plurianual é um plano que venha a nortear as políticas
públicas durante 4 ou 5 anos, assim os produtores poderiam enxergar o futuro
com maior clareza e confiança. O que eu defendo é um política agrícola
totalmente baseada no seguro rural”, completou., aproveitando para destacar a
aprovação da Comissão Mista de Orçamento (CMO), de R$ 841 milhões para o
Programa de Subvenção ao Seguro Rural de 2016, aumentando em 110% a previsão
inicial da proposta orçamentária do Executivo.

Senar Goiás

O ano foi de muitas ações para o Senar Goiás. O total de atendimentos da
casa em seus programas ultrapassou a marca dos 400 mil. O número surge das
várias atividades deste braço do Sistema S, todas realizadas de janeiro a
dezembro. Na lista entram programas como Dia de Campo, Proteção de nascentes,
Goiás Mais Leite, Pronatec, Faeg/Senar em Ação, Treinamentos de Formação
Profissional Rural, Agrinho, dentre outros.

“O Senar é a maior escola-campo do mundo”, disse o presidente do
Conselho Administrativo do Senar, José Mário Schreiner. Os programas levaram
capacitação e empreendedorismo aos goianos. “Hoje temos um curso técnico em
Agronegócio e também uma faculdade em caráter experimental”, ressaltou.
Somente atendimentos voltados à educação foram 12.285 – número que engloba
atendimentos dos Treinamentos de Formação Profissional Rural, Pronatec, EAD,
Rede E-Tec e curso de Empreendedorismo Rural.

O presidente da Faeg destacou que há um tempo os jovens vinham se
preparando para os concursos públicos, mas, com o declínio de oferta nesta
área, eles começaram a partir para o empreendedorismo. “O Senar tem preparado
as pessoas para serem empreendedores, preparando mão de obra para este campo
de atuação: a iniciativa privada. É este setor que faz o Brasil crescer e
gera emprego e renda”, finaliza.

Dentre os destaques do Senar, cita-se o Programa Goiás Mais Leite, que
promove educação continuada e acompanhamento técnico a produtores de leite em
todo o estado, e teve 3.030 participantes em 2015. Para 2016, o Sistema
Faeg/Senar pretende ampliar as cadeias produtivas da piscicultura, pecuária de
corte, apicultura, ovinocultura e hortifrúti. A assistência oferecida
promoverá o desenvolvimento, minimizando os impactos ambientais, econômicos e
sociais nos sistemas de produção que foram contemplados, diminuindo a pobreza
rural e levando milhares de produtores para a classe média rural.

Este ano, o Sistema Faeg/Senar lançou oficialmente o Programa Agricultura
Urbana, que busca levar as técnicas de plantio do campo para os centros de
convivência urbanos. Centenas de pessoas participaram e aprenderam a cultivar
suas próprias hortaliças e jardins. Em 2016, o programa será ampliado. Com
informações da assessoria de imprensa da Faeg.

Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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