Porto Alegre, 30 de novembro de 2021 – A União Brasileira do Biodiesel e
Bioquerosene (Ubrabio) lamenta que o Conselho Nacional de Política Energética
(CNPE), na reunião encerrada nesta segunda-feira (20.11), tenha decidido manter
em 10% o percentual de mistura do biodiesel ao diesel de petróleo para todo o
ano de 2022. A Ubrabio considera que esta decisão coloca em risco toda o
programa de biodiesel e desmancha o avanço que se buscava para o programa de
biocombustíveis no Brasil.
“Esta decisão significa desmontar o programa de biodiesel e condenar à
morte milhares de brasileiros por doenças relacionadas a poluição, em
especial pelo uso de diesel fóssil importado de péssima qualidade para a
saúde pública”, criticou o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete
Tokarski. O CEO da Ubrabio lembrou que, em agosto, o próprio ministro de Minas
e Energia, Bento Albuquerque, tinha anunciado, durante a II Biodieselk Week, a
continuidade do cronograma de mistura anunciando 15% de biodiesel ao diesel em
março de 2023.
Atualmente, 54 usinas de Biodiesel, distribuídas em 47 municípios de
todas as regiões do país e em 14 unidades da federação, estão autorizadas
pela Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a
produzir 12,3 bilhões de litros ao ano, frente a uma demanda estimada, para
este ano, de cerca de 6,6 bilhões de litros.
Esta é uma decisão desqualificada do ponto de vista econômico, social e
ambiental, sem a menor justificativa, ainda mais diante da ociosidade atual de
mais de 50%, alertou Donizete Tokarski.
A manutenção do índice de mistura obrigatória em 10% também vai deixar
de fora do programa cerca de 20 mil trabalhadores da agricultura familiar, hoje
encarregados de fornecer matéria prima para o biodiesel. A decisão do CNPE
ainda vai aumentar a importação de mais de 2,5 bilhões de litros de diesel
fóssil.
Preço
Levantamento da Ubrabio mostra que, ao contrário do argumento que levou o
CNPE a manter em 10% a mistura obrigatória entre maio e outubro, não é o
biodiesel o responsável pelo encarecimento do diesel ao consumidor final.
A participação do biodiesel na formação do preço do diesel B, vendido
nos postos de abastecimento, era de 13,6% em primeiro de janeiro deste ano e
passou a 13,7% em primeiro de outubro. Uma variação insignificante de menos de
1%. No mesmo período, o peso do diesel fóssil no preço ao consumidor final
passou de 47,7% em janeiro para 56,2% em primeiro de outubro, mais de 8%. Estes
cálculos consideraram todas as variações do percentual do biodiesel no diesel
fóssil no período. O governo só tem analisado a pequena participação do
biodiesel no preço e não considera o valor desse produto de excelente
qualidade.
A Ubrabio, entidade que representa 40% da produção de biodiesel,
reivindica a retomada do cronograma de mistura de biodiesel ao diesel de
petróleo que o próprio CNPE previa 14% a partir de março de 2022 e 15% em
março de 2023, como estabelece a legislação.
“Esperamos que o governo e o CNPE retomem o cronograma de mistura de
biodiesel ao diesel fóssil para que o setor de biodiesel volte a ter esperança
no programa e minimize os prejuízos causados até agora com a redução da
mistura obrigatória”, disse o presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés.
A Ubrabio também considera a decisão do CNPE um equívoco porque vai em
sentido contrário ao que foi definido pela 26 Conferência do Clima realizada
no início de novembro em Glasgow, na Escócia. As informações partem da
Ubrabio.
Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS
Copyright 2021 – Grupo CMA
Cotação semanal
Dados referentes a semana 17/04/2026
Suíno Independente kg vivo
R$ 5,91Farelo de soja à vista tonelada
R$ 1.800,00Casquinha de soja à vista tonelada
R$ 1.000,00Milho Saca
R$ 66,00Preço base - Integração
Atualizado em: 22/04/2026 11:03