Porto Alegre, 07 de dezembro de 2015 – Os US$ 5,3 bilhões de subsídios
destinados ao consumo de combustíveis fósseis em todo o mundo este ano
correspondem US$ 10 milhões por minuto. A constatação é de relatório do
Fundo Monetário Internacional apresentado hoje na Conferência do Clima das
Nações Unidas em Paris.
O workshop da REN21, Rede de Energia Renovável (Renewable Energy Policy
Network, na sigla em inglês), instituição multilateral com representantes de
governos, empresas e centros de pesquisas, foi acompanhado pelo diretor da
Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), Julio Minelli,
membro da delegação brasileira na COP 21.
Há três anos, na Rio+20, cujo documento final propôs a erradicação
dos subsídios aos combustíveis fósseis e às fontes de energia não
renováveis, o presidente da entidade, Erasmo Battistella, já proponha a
transferência de parte destes recursos para a produção de energia verde, ao
participar do painel “Diálogos da Sustentabilidade”, no debate “Energia
Renovável para Todos”.
De lá para cá, nem o documento final da Rio+20 foi cumprido, com o fim
dos subsídios às energias fósseis, nem a sua transferência para as
renováveis se deu, como sugerira o presidente da APROBIO para incluir este
ponto na chamada “Carta do Rio”.
O que se discutiu hoje em Paris foi a criação de um fundo internacional
para financiamento das energias renováveis, com não mais que US$ 100
bilhões, o que representa 53 vezes menos do que o mundo dispende hoje para
consumir energia, e combustíveis, não renováveis, que poluem o planeta de
forma permanente, contribuindo para o aquecimento global.
E, ainda assim, segundo informações oficiosas entre as diferentes
delegações dos países presentes na Conferência e a organização da COP 21,
nem mesmo o fundo ainda é um consenso, para o qual não haveria mais que US$ 10
bilhões disponíveis para as energias limpas.
Além disso, os países produtores de petróleo insistem em se opor aos
acordos em andamento para reduzir os subsídios às energias fósseis. Não se
sabe ao certo se esta oposição se estende ao rascunho esboçado para o
documento final da COP 21, que depois de muitas alterações, e outras tantas
que ainda devem ser feitas até o encerramento da Conferência, foca hoje o
limite de tolerância com o aquecimento global em até 1,5 ou 2 graus
centígrados (C) até 2050, quando, então, começariam esforços para
redução do aquecimento até 2100.
Lá na Rio+20, a abordagem da APROBIO para promoção do uso sustentável
da energia era como política de saúde pública. De acordo com a entidade,
naquele ano, 2012, a então mistura de 5% de biodiesel misturado por litro de
diesel, contribuía para reduzir em 12.945 o número de internações
hospitalares por problemas respiratórios e evitava a morte de 1.838 pessoas.
Estudo
Com o aumento gradativo da mistura, a entidade acreditava na consequente
ampliação dos benefícios na mesma proporção. Como acabou se confirmando com
o estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, de médicos ligados à Escola
de Medicina da USP e coordenado pelo professor Paulo Saldiva, da mesma
instituição, uma das maiores autoridades em doenças infecciosas por problemas
relacionados à poluição atmosférica.
Realizado com o apoio da APROBIO em junho deste ano, o estudo mostra uma
economia de mais de R$ 2 bilhões para os sistemas de saúde pública e privada
nas regiões metropolitanas de seis capitais do país até 2025, devido às
reduções de internações e mortes.
O levantamento foi feito com base em dados de órgãos de monitoramento e
controle ambiental de Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife, além de
São Paulo e Rio. Só em São Paulo e no Rio de Janeiro, a adoção de 20% do
biocombustível no diesel, hoje já em 7%, pode evitar 13.031 mortes, ou mesmo o
câncer, no mesmo período, numa economia de R$ 145 milhões e 51.188
internações hospitalares a menos, no período de 2015 a 2025.
A pesquisa simulou cenários de evolução gradual do biocombustível na
matriz veicular brasileira, chegando a 10% (B10) por litro de diesel em 2018,
15% (B15) em 2022, e finalmente 20% (B20), abaixo do que o Brasil já mistura de
etanol na gasolina hoje, em 2025. “Este estudo comprova os inúmeros
benefícios do biodiesel na matriz energética brasileira”, afirma o
presidente da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella.
Para ele, no ano da COP 21, quando até o Papa divulga uma encíclica
sobre o meio ambiente, e cidades como Santiago do Chile decretam estado de
calamidade pública por causa da poluição do ar, “o Brasil não pode se
furtar do emprego de um ativo importante para reduzir a mortalidade e realocar
recursos nas políticas de saúde pública.” Mas do jeito que as coisas andam
em Paris, parece pouco provável que o clima no mundo saia de lá melhor do que
chegou.
Cotação semanal
Dados referentes a semana 20/03/2026
Suíno Independente kg vivo
R$ 7,21Farelo de soja à vista tonelada
R$ 63,33Casquinha de soja à vista tonelada
R$ 1.000,00Milho Saca
R$ 63,33Preço base - Integração
Atualizado em: 26/03/2026 09:20