O ano de 2025 se consolidou como um dos mais positivos da última década para a suinocultura gaúcha e brasileira. Após um período prolongado de instabilidade, marcado por margens apertadas e incertezas, o setor voltou a operar em um ambiente mais previsível, com preços remuneradores, custos de produção sob controle e condições favoráveis para o planejamento da atividade.
Entre os produtores independentes, que atuam no mercado livre, o cenário foi de maior estabilidade e rentabilidade. A combinação de preços firmes do suíno vivo com menor volatilidade dos principais insumos garantiu margens mais confortáveis ao longo do ano. Esse contexto permitiu a retomada de investimentos, especialmente em melhorias estruturais, modernização das granjas e adoção de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva.
No sistema de integração, formado por produtores vinculados a cooperativas e empresas integradoras, os reflexos do bom momento também foram percebidos. Embora os modelos de remuneração sigam critérios técnicos baseados em desempenho e produtividade, a movimentação positiva do mercado possibilitou ajustes e repasses adicionais por parte das integradoras, ainda que em menor proporção quando comparados ao mercado independente.
De forma geral, 2025 foi marcado pelo equilíbrio econômico do setor A eficiência produtiva avançou, os processos foram aprimorados e o ritmo de produção se manteve alinhado à demanda, evitando excessos. O desempenho das exportações teve papel decisivo nesse contexto, com abertura de novos mercados, ampliação dos volumes embarcados e maior competitividade da carne suína brasileira no cenário internacional.
Para o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Luis Folador, os resultados confirmam a capacidade de organização e reação do setor produtivo. “Este foi um ano de reconstrução e consolidação. O produtor conseguiu trabalhar com mais tranquilidade, ajustar as granjas e retomar investimentos. Isso mostra a força da suinocultura e a maturidade do setor, que respondeu rapidamente quando as condições de mercado se tornaram mais favoráveis”, avalia.
Folador também destaca que os números divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçam a solidez do momento vivido pela cadeia suinícola. “Os dados da ABPA mostram um crescimento consistente da produção, das exportações e do consumo interno, o que demonstra que o setor está caminhando de forma equilibrada, com oferta compatível com a demanda e sem perder competitividade”, afirma.
No consumo per capita, que segue em trajetória de alta, o presidente da ACSURS ressalta a importância das ações institucionais voltadas à valorização da carne suína no mercado interno. “Esse avanço no consumo não acontece por acaso. Acreditamos que há uma influência muito positiva do trabalho realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), especialmente nas campanhas junto às grandes redes de supermercados, na melhoria da apresentação dos cortes, na comunicação com o consumidor e na quebra de antigos paradigmas sobre a carne suína. É um esforço que gera resultado concreto na ponta do consumo”, pontua.
Para 2026, a expectativa segue positiva, embora com um ritmo de crescimento mais moderado. “A tendência é de avanço dentro de níveis sustentáveis, compatíveis com a absorção do mercado interno e da demanda global. Custos mais estáveis, especialmente de milho e farelo de soja, contribuem para dar previsibilidade ao planejamento das granjas. Por outro lado, as taxas de juros ainda elevadas devem manter as expansões estruturais em ritmo mais lento. O foco continuará sendo a eficiência ‘da porteira para dentro’, com ganhos de produtividade e melhor gestão”, ressalta Folador.
Com estabilidade, organização e foco em eficiência, a suinocultura entra em 2026 fortalecida e preparada para avançar, atendendo às exigências de um mercado cada vez mais competitivo, tanto no Brasil quanto no exterior.
Cotação semanal
Dados referentes a semana 09/01/2026
Suíno Independente kg vivo
R$ 8,42Farelo de soja à vista tonelada
R$ 1.930,00Casquinha de soja à vista tonelada
R$ 1.000,00Milho Saca
R$ 67,75Preço base - Integração
Atualizado em: 13/01/2026 09:30