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AGRICULTURA: Potencial põe Brasil à frente da segurança alimentar no mundo

22 de dezembro de 2015
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Porto Alegre, 22 de dezembro de 2015 – A combinação de água, terras
cultiváveis, tecnologia e alta produtividade fará do Brasil um grande
protagonista na produção de alimentos diante do aumento crescente da classe
média no mundo. A análise é do secretário de Política Agrícola do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), André Nassar, que
destaca ainda a importância estratégica do mercado asiático para o
agronegócio brasileiro.

Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO) mostram que, enquanto a população mundial cresce, a disponibilidade de
terras agricultáveis cai continuamente.

O Brasil é exceção nesse cenário adverso. Com uma das maiores taxas de
produtividade do mundo, o país apresenta potencial para expandir sua área
agrícola em 70 milhões de hectares. Com essa área, é possível incrementar
em 136% a atual produção de grãos e fibras, por exemplo, que hoje é de cerca
de 210 milhões de toneladas.

A FAO espera que o Brasil aumente sua produção agropecuária em 40% até
2019. Somente nos últimos 20 anos, a produção de carne de aves cresceu 285%,
e a bovina, 77%. “O mundo deverá ter 7,5 bilhões de pessoas em 2020, mas a
expectativa é de que as áreas agricultáveis decresçam”, observa o
secretário. Na sua avaliação, a disponibilidade de água e terra, além de
tecnologia e dos ganhos de produtividade, colocam o Brasil como um dos mercados
com maior potencial para abastecer o mundo. “Temos aqui o que não encontramos
em país algum.”

Proteína animal

Em 10 anos, acrescenta Nassar, a Ásia será o maior consumidor mundial de
proteína animal do mundo e precisará importar cada vez mais para garantir a
segurança alimentar de suas populações. Esse cenário representa uma grande
oportunidade para o agronegócio brasileiro.
O sul e o sudeste asiáticos concentram 51% da população mundial e consomem
quase um terço de tudo o que é produzido no mundo, como aves (28%), bovinos
(20%), lácteos (31%) e açúcar (37%). Ao mesmo tempo, essa região possui
apenas 18% das terras disponíveis para agricultura no globo. “Aí está a
importância estratégica do mercado asiático para o Brasil”, reforça Nassar.

Não apenas o crescimento populacional, mas também o aumento da renda e da
qualidade de vida dos asiáticos elevarão a demanda por alimentos nas
próximas décadas. Em 2030, 66% da classe média do mundo se concentrará ali.

Os asiáticos, segundo dados da FAO, elevarão seu consumo anual de
alimentos de 48 quilos por habitante para 52 kg/hab/ano em 2024. Esse salto
representará um adicional de 44 milhões de toneladas acumulados em 10 anos.

Inflação

Nassar aponta ainda que a inflação dos alimentos no mundo tem crescido
mais do que os demais bens de consumo. A China, por exemplo, registrou aumento
de 50% no preço dos alimentos entre janeiro de 2014 e outubro de 2015; o
México, 37% e a Rússia, 20%.

A escalada de preços indica necessidade de aumentar as importações, uma
vez que o crescimento da produção própria de alimentos nesses países é
limitado. “Isso mostra que o consumo está aumentando, mas a oferta não
consegue acompanhar. São regiões que terão que importar para controlar seus
preços. Está claro que a expansão da importação será uma política
pública dessas nações, o que abre oportunidade para países produtores como o
Brasil”, ressaltou o secretário. Com informações da assessoria de
comunicação social do Mapa.

Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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