Porto Alegre, 22 de dezembro de 2015 – Por mais que 2016 esteja
próximo, o futuro da cadeia do boi se mostra incerto. Desde 2014 o
principal direcionador dos altos preços da arroba tem sido a baixa
oferta de animais para abate, porém em 2016 a demanda pode entrar no jogo,
principalmente pelo cenário macroeconômico do Brasil.
No mercado doméstico, as altas taxas de desemprego e inflação podem
diminuir o consumo de carne bovina, já que uma menor renda e um baixo poder de
compra mudam o padrão de consumo de carnes das famílias, podendo pressionar os
preços da cadeia como um todo.
Por outro lado, no âmbito externo, a alta do dólar oferece
oportunidades para a abertura de novos mercados, tendo em vista o
menor preço da carne bovina no exterior, o que poderia contrabalancear com o
mercado interno. Não menos importante, é preciso ficar de
olho também na oferta, segundo previsão feita pelo Imea, em 2016 o abate pode
cair na faixa de 5,0%, em função, ainda, da retenção de fêmeas.
Na mesma previsão acredita-se que o volume de abate desta categoria pode
retrair 9,3%, se concretizando caso os preços da reposição continuem
elevados. Dessa forma, para 2016, o sucesso ou não da cadeia vai depender do
sobe e desce dessa gangorra entre a oferta e a demanda.
Boi gordo teve maior média histórica de Mato Grosso em 2015
Em 2015 o preço do boi gordo, apesar de ter tido a maior média da
história de Mato Grosso, andou praticamente de lado. Até nov/15, o preço
médio foi de R$ 130,12/@, valor 17,2% maior que em 2014. Esse fato isolado
teria sido ótimo para o produtor, porém, com os altos custos e a baixa oferta
de animais, a realidade foi diferente.
O abate, por sinal, destacou-se pela forte queda de 15,0% e somou 4,29
milhões de cabeças até nov/15. Com isso, sete plantas frigoríficas fecharam
devido à baixa utilização das suas capacidades. Os efeitos do ciclo pecuário
foram evidentes este ano, já que o abate recorde de fêmeas no passado limitou
a oferta de reposição em 2014 e 2015, o que, consequentemente, elevou seu
preço e estimulou a retenção de matrizes.
Para se ter uma ideia, em 2015 o preço do bezerro desmama aumentou 26,6%
e o abate de fêmeas diminuiu 21,5%. No lado da demanda, a alta do dólar
“salvou” as exportações que, em volume, diminuíram 4,6%, isso porque,
mesmo com o faturamento em dólar 11,2% menor, o faturamento em real cresceu
26,9%.
Já o consumidor brasileiro, responsável por 74,8% da demanda, absorveu
o aumento da carne no varejo, o que sustentou o preço em R$ 20,27/kg na média
de 2015, valor 17,4% maior que em 2014. Os preços da arroba do boi gordo e da
vaca gorda em 2015 foram 17,13% e 19,26% maiores que em 2014, respectivamente,
caracterizando o maior preço médio anual da história de Mato Grosso.
No acumulado de jan/15 a nov/15 as exportações registraram queda de
4,65% em volume exportado e 11,19% em receita. O número de animais abatidos
até nov/15 foi 15,02% menor que o do mesmo período do ano anterior. O abate de
fêmeas foi o principal motivo, já que sua redução foi de 21,48%.
O preço do bezerro de ano aumentou 29,28% entre 2014 e 2015.
A valorização do gado de reposição foi um dos principais motivos
para o confinamento crescer apenas 5,20%. Com informações do boletim semanal
do Instituto Mato-Grossense de Economias Agropecuárias (IMEA).
Revisão: Carine Lopes (carine@safras.com.br) / Agência Safras
Copyright 2015 – Grupo CMA
Cotação semanal
Dados referentes a semana 27/03/2026
Suíno Independente kg vivo
R$ 6,88Farelo de soja à vista tonelada
R$ 1.815,00Casquinha de soja à vista tonelada
R$ 1.000,00Milho Saca
R$ 63,83Preço base - Integração
Atualizado em: 26/03/2026 09:20