Porto Alegre, 28 de abril de 2016 – As últimas bolsas do mês de abril
voltaram a apresentar queda nos preços pagos pelo quilo do suíno vivo em
várias regiões do país. Com o setor ainda afetado pela alta no valor do milho
– média de R$ 49,25 na saca de 60Kg em São Paulo – os suinocultores também
sofrem com a baixa na confiança do consumidor brasileiro, que anda
desestimulado com a crise econômica do país.
Em São Paulo, o valor registrado na bolsa do dia 25 de abril caiu R$ 0,48,
tendo reduzido de R$ 3,63 para R$ 3,15 no decorrer do mês. No Rio Grande do
Sul a queda foi de R$ 0,22, chegando a R$ 3,07 na última semana de abril. Já
em Minas Gerais e no Distrito Federal a redução foi de R$ 0,25 e R$ 0,16,
respectivamente.
Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia
(IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontam que o Indice de Confiança
do Consumidor (ICC) recuou 2,7 pontos entre março e abril de 2016, ao passar
de 67,1 para 64,4 pontos. Conforme a instituição a média registrada atingiu o
menor nível da série histórica, refletindo extrema insatisfação com a
economia do país e do pessimismo em relação à situação financeira das
famílias.
Nilo de Sá, diretor executivo da Associação Brasileira dos Criadores de
Suínos (ABCS), comenta como a falta de confiança do consumidor tem se
refletido no setor. “A diminuição da capacidade de consumo da população,
ocasionada pelo aumento da taxa de desemprego e queda na renda, reflete
diretamente na confiança dos consumidores, que passam a ter mais cautela na
hora das compras, optando por alimentos mais baratos, mesmo com a carne suína
tendo se mantido competitiva em relação a proteína bovina”, afirma.
Além disso, outro fator que vem afetando a suinocultura brasileira é o
aumento da oferta interna do produto, que acarreta na diminuição dos preços.
De acordo com estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA),
somente em 2016, espera-se um crescimento na produção de carne suína na ordem
de 2,0%, podendo chegar a 3,0%. “Obviamente uma maior oferta, acompanhada de
retração na economia e queda na confiança do consumidor, pressiona o preço
do suíno vivo”, completa.
Diante desse cenário, a busca por políticas públicas que auxiliem os
produtores nesses momentos de dificuldades tem sido uma das principais frentes
de atuação da ABCS e demais entidades envolvidas com o setor. Recentemente o
Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a ampliação de uma linha de
crédito para retenção de matrizes, passando de R$ 1,2 milhão para R$ 2,4
milhões, por produtor.
Outras medidas de apoio ao setor, como a isenção do PIS/CONFINS para
importação de milho da Argentina e Paraguai e o aumento do limite para compra
de milho balcão, tem sido pleiteadas pela ABCS. “Ainda que seja um momento
difícil para o governo ceder concessões a algum setor, visto que também sofre
com queda de arrecadação, continuamos lutando para que nossos pleitos sejam
atendidos e que sirvam de alento para o produtor possa sobreviver a mais esta
crise que atinge a suinocultura brasileira”, finaliza de Sá. Com informações
da assessoria de imprensa da ABCS.
Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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Cotação semanal
Dados referentes a semana 22/11/2024
Suíno Independente kg vivo
R$ 9,53Farelo de soja à vista tonelada
R$ 71,50Casquinha de soja à vista tonelada
R$ 1.200,00Milho Saca
R$ 1.975,00Preço base - Integração
Atualizado em: 22/11/2024 17:50